Não é filme de terror, não é um drama comum, não é comédia, não é simples, não é nada que possa ser enquadrado. É David Lynch.
Wild at Heart (Coração Selvagem), 1990.
Não é filme de terror, não é um drama comum, não é comédia, não é simples, não é nada que possa ser enquadrado. É David Lynch.
Wild at Heart (Coração Selvagem), 1990.
A partir de agora vou trazer algumas fotos de cenas de filmes, as quais estou chamando de “cinema congelado”. Imagem em movimento dispersa. Fotografia faz a gente pensar. É mais ou menos como disse o filósofo, escritor, semiólogo (e mais um monte de outras coisas) Roland Barthes, “A fotografia sempre me espanta, com um espanto que dura e se renova, inesgotavelmente”.
No cinema há dois tipos de profissionais que trabalham com fotografia: o diretor de fotografia, que cuida da cena no que diz respeito ao contraste, luz e o “clima”, de acordo com os conceitos do filme. É uma mistura de artista e técnico da luz. E existe o fotógrafo de still, que é um profissional que acompanha as filmagens, produzindo fotos que serão usadas para a divulgação na imprensa, cartazes e também para outros fins. Então, quando alguém elogia a “fotografia” de um filme, provavelmente está se referindo à luz, a maneira como ela foi trabalhada para deixar o filme no clima certo.
Hoje trago fotos de cenas de alguns filmes imperdíveis. Como é dia mundial dos enamorados, separei somente fotos de amor. Critério? Os não-convencionais. Porque foto de casal tradicional tá cheio no Facebook.
Selecionar fotos é escolher, entre tantas imagens, as que falam mais alto. Ou mais baixo. Ou calam. Ou perguntam alguma coisa. Às vezes eu acho que as fotografias é que escolhem a gente.
Nunca acredite totalmente numa imagem. Mas deixe-a tentar te convencer, levar pra algum lugar, contar uma história. Sem filtros.
Quando eu estava no ensino fundamental lá pelos meus sete anos, sofri muito bullying, que na época a gente chamava de aporrinhação mesmo ou crueldade infantil. Bom, eu parecia um piá. Cabelo curto e dentes de Turma da Mônica, sem a mochila da Barbie e o tênis da moda. Só podia dar merda. Tinha uma menina na minha turma, a Viviane, que adorava quebrar minhas bonecas, rasgar meus livros e tirar um sarro da minha cara. Um dia ela jogou cola na minha cadeira e eu não vi. Era a cara da maldade. Sofri pacas. Mas depois mudei de colégio, virei popular e ficou tudo bem. Nunca quis atirar nos coleguinhas ou me matar, nem tive vontade de me vingar da Viviane. Gastei com terapia, é verdade. Mas hoje sou aparentemente normal. Disfarço bem.
Os seres mais evoluídos dizem que é preciso perdoar ou rezar pelos inimigos. Acredito nisso e sou contra a violência e a vingança. Mas a ira não está entre os Sete Pecados Capitais por acaso. Ela faz parte do ser humano. O duro é que alguns a colocam em prática castigando o inimigo das formas mais “criativas”.
Prefiro me realizar na arte. Histórias de vingança sempre despertaram interesse nas pessoas. Novelas, filmes, contos de ficção, tudo que tem um coitado sofrendo e que depois dá a volta por cima sempre faz muito sucesso. O povo quer ver o pau comer desde que o mundo é mundo, nem que seja como espectador. E quanto mais trabalhosa a vingança, mais demorada e com requintes de crueldade, mais audiência.
Na literatura, uma das histórias mais famosas é O Conde de Monte Cristo, um romance escrito pelo francês Alexandre Dumas em 1844, que foi adaptado para o cinema por Kevin Reynolds e com Jim Caviezel no papel principal, em 2002. É a história de um homem que foi preso injustamente como traidor, na época de Napoleão Bonaparte. Essa é uma história incrível, a típica “vingança do pipoqueiro”. Aliás, tenho uma amiga que vive usando essa expressão e esses dias a gente se perguntou de onde viria. Pesquisei e encontrei várias versões, mas gostei mais dessa: é uma lenda que conta sobre um cavaleiro chamado Sir Blackspot, que detestava pipoca (já começa por aí…quem, em sã consciência, detesta pipoca??). Um belo dia ele humilhou o pipoqueiro Charles Lockwell, um trabalhador honesto e simples, jogando-o numa poça de lama na frente de todo mundo, na região da Normandia. Um bullying tremendo. Foi então que Charles disfarçou-se de cozinheiro, invadiu a casa de Sir Blackspot e preparou um chá do tipo “mata elefante”, usando um sonífero poderoso. Aí aproveitou e despejou milho de pipoca na garganta do cavaleiro, enquanto ele dormia.
No dia seguinte, Sir Blackspot saiu em missão nas Cruzadas usando sua notável e brilhante armadura. Aí o sol quente refletiu no metal e estourou a pipoca que estava no estômago dele, que começou a pular feito louco enquanto grãos saltavam de sua boca. Um vexame só. Charles, o pipoqueiro, só rindo e curtindo sua vingança nos bastidores. Aí surgiu a expressão.
Mas essa até que foi leve. Tem histórias bem piores, principalmente quando a pessoa se vinga de uma crueldade sem tamanho, como em Dogville, de Lars von Trier ou em A Morte e a Donzela, de Roman Polanski, onde a protagonista encontra seu algoz muitos anos depois de ter sido torturada por ele, numa situação pra lá de inusitada. Além destes filmes, estão entre os meus preferidos Kill Bill, uma verdadeira obra de arte de Quentin Tarantino (esse gosta do tema vingança), Ela é o Diabo, um clássico dos anos 80 em que uma dona de casa gorda e feia é traída por seu marido com ninguém menos que uma escritora rica, famosa, loira e magra (interpretada por Meryl Streep), Caché, de Michael Haneke, onde um casal recebe fitas de vídeo com imagens de sua casa e desenhos assustadores e a coisa se revela mais misteriosa ainda, envolvendo histórias do passado e o aterrorizante Carrie, a Estranha, história de Stephen King que em 1976 foi adaptada para o cinema por Brian de Palma, um clássico do terror que teve várias outras versões. O cinema tem a habilidade de fazer da vingança um espetáculo, algo bem mais interessante do que um prato frio. Pena que eu não assisti a estes filmes quando criança. Teriam me dado boas ideias.
Seguem algumas sugestões para deixar qualquer pipoqueiro com inveja. Não assistam se tiverem planos malignos em mente.
Carrie, a Estranha (Carrie, 1976), de Brian de Palma (tem outras versões, mas esta é sensacional).
Ela é o Diabo (She-Devil, 1989), de Susan Seidelman.
A Morte e a Donzela (Death and the Maiden, 1994), de Roman Polanski.
O Clube das Desquitadas (The First Wives Club, 1996), de Hugh Wilson.
Sleepers - A Vingança Adormecida (Sleepers, 1996), de Barry Levinson.
Gladiador (Gladiator, 2000), de Ridley Scott.
O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo, 2002), de Kevin Reynolds.
Kill Bill, Vol. I (2003), de Quentin Tarantino.
Oldboy (2003), de Park Chan-wook.
Dogville (2003), de Lars von Trier,
Caché (2005), de Michael Haneke.
V de Vingança (V for Vendetta, 2006), de James McTeigue.
Revenge (série de TV norte-americana de drama criada por Mike Kelley e estrelada por Madeleine Stowe e Emily VanCamp, teve seu primeiro episódio em 2011).
Django Livre (Django Unchained, 2012), de Quentin Tarantino.
Este vídeo famoso no Youtube é de um menino que se vinga do colega reagindo ao bullying, em uma escola australiana. Viviane, essa é pra você.
Fugir é um verbo irregular que significa afastar-se, retirar-se, escapar a algo ou a alguém. Para a psicologia, é um mecanismo de defesa. Para a música, segundo a Wikipédia, fuga é um estilo de composição contrapontista, polifônica e imitativa, de um tema principal, com sua origem na música barroca. Em desenho de perspectiva, ponto de fuga é um objeto do plano de visão, que representa a interseção aparente de duas ou mais retas paralelas, segundo um observador fixo e situa-se na linha do horizonte. Para a psiquiatria, está relacionada a uma série de patologias. Para a maioria das pessoas é uma coisa errada, vergonhosa e que não deve ser feita, porque devemos ser corajosos, enfrentar os problemas e obstáculos e não fugir deles. Fugir de bandido, cachorro louco e furacões até vai, mas das coisas da vida, aí não pode.
É só a gente comentar algo como “vou embora deste lugar” e já vem alguém dizendo, com ares de profeta das montanhas “ah, você está fugindo” ou “não é assim que se resolvem os problemas, eles vão junto com você” e vários clichês desse tipo. Eu acho que todo mundo deveria fugir alguma vez na vida. De qualquer coisa. A fuga, além de necessária, muda o lugar das coisas, protege, desorganiza, mascara, tudo vira um caos, mas muitas vezes, se pensarmos bem em algumas situações, o melhor a se fazer é “nada”. Eu desconfio de quem enfrenta tudo e sabe sempre o que fazer.
Há um tipo de fuga que não implica em deixar de pagar as contas ou esquecer entes queridos morrendo de fome. Às vezes é preciso fugir um pouquinho todos os dias de outra forma, procurando em nossa imaginação um lugar que é só nosso, onde podemos ser nós mesmos e desenhar um cenário que só a gente conheça, um produto do nosso desejo mais legítimo.
Todos deveriam experimentar esse lugar. Um lugar de deleite. Onde não há censura ou perigo, medo ou dúvida. Um lugar que, por ser imaginário e termos certeza disso, não há cobranças, só direitos. Uma vez nele, podemos transgredir um pouco. E depois, de volta à “vida real” onde os problemas e verdades ainda nos atormentam, a gente consegue seguir em frente. Ou não, como diria Gilberto Gil, autor daquela música famosa chamada “Vamos Fugir”. Os céticos vão dizer “ah, mas isso não é real”. Sim, é tão real quanto o pão com geléia que a gente come de manhã ou a dor de cabeça que nossos problemas nos trazem. Acredito que tudo que a gente pode sentir é real.
Esses lugares não precisam ser exatamente praias paradisíacas ou aqueles círculos de luz imaginários que gurus da autoajuda sugerem. E também não é preciso entrar numa escola de meditação transcendental e comprar uma passagem pra Índia. Lugares podem ser pessoas. Podem ser um tempo. Podem ser coisas, obras de arte, filmes, brincadeiras, jogos, músicas, orações, cheiros. Podem ser personagens, histórias, situações, mas precisam ter duas coisas básicas e vitais: a nossa essência e a nossa (verdadeira) vontade. Quem consegue encontrar este lugar, tão íntimo e único, pode ter uma das experiências mais fantásticas da vida. Porque por mais estranho que pareça, a fuga pode ser também uma busca. Quanto tempo a gente pode ficar neste “lugar”? Quantas vezes será que podemos visitá-lo? Acho que não há regras.
Ninguém deveria ser chamado de louco ou covarde por experimentar uma fuga a um lugar como esse. Porque é nele, só nele, que acontece o que realmente importa: a gente enxerga a si mesmo. E pra isso, é preciso ter muita coragem.
Sugiro estes quatro filmes, sobre pessoas “em fuga”.
A Rosa Púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo, 1985), de Woody Allen. Com Mia Farrow, que faz o papel de uma garçonete que sustenta o marido bêbado, desempregado, violento e grosseiro e que costuma fugir da realidade indo ao cinema e assistindo a várias sessões de seus filmes preferidos, até que, ao assistir pela quinta vez ao filme “A Rosa Púrpura do Cairo”, ela tem uma grande surpresa.
O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006), de Guillermo del Toro. Esse é pra quem tem coração e estômago fortes. Na Espanha de 1944, oficialmente a Guerra Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte de Navarra. Ofelia, uma menina de 10 anos, muda-se para a região com sua mãe e seu novo padrasto, um oficial fascista que trata os guerrilheiros com requintes de crueldade. Solitária e com medo, a menina descobre um mundo de fantasias onde conversa com um Fauno e isso muda o rumo de sua história.
A Garota Ideal (Lars and the Real Girl, 2007), de Craig Gillespie. Com o talentoso (e lindo) Ryan Gosling, que faz o papel de um homem tímido e introvertido, que mora no mesmo terreno que seu irmão e cunhada. Um belo dia ele se apaixona por uma mulher pela internet e a insere em sua vida familiar e social. Só que esta mulher é uma boneca inflável. Uma lição de tolerância que não existe na vida real.
Paris, Texas (Paris, Texas, 1984), de Wim Wenders. Aclamado pela crítica e um dos filmes mais lindos que eu já vi, conta a história de Travis, um andarilho desaparecido há 4 anos, que é encontrado sem memória por seu irmão em um deserto ao sul dos EUA. Aos poucos ele vai recordando partes de sua vida. Com o irmão e cunhada vive também Alex, filho de Travis, que foi abandonado pela mãe. Travis e Alex vão construindo uma grande amizade e um desejo enorme de encontrar a mãe. Uma fuga seguida de uma busca. Na vida real, geralmente é assim.
Agora fiquem com uma fuga de Mozart, que é um lugar e tanto.;-)
Depois que estudiosos enquadraram as pessoas em “gerações”, tudo ficou mais fácil de entender. E também de etiquetar, carimbar, separar os indivíduos. Afinal, tudo no mundo tem que estar dentro de uma categoria, não é mesmo? É super útil. Minha vida mudou depois de saber que sou da “geração X”, que, segundo a Wikipédia, o termo foi inventado pelo fotógrafo da Magnum, Robert Capa, em 1950. Depois disso houveram outras conclusões e estudos, mas pra simplificar, é a geração nascida aproximadamente entre os anos 1960 até o final dos anos 1970. Quem nasceu de 1980 em diante, é a tal geração Y, tão falada, tão polêmica, rotulada de mimadinha, imediatista e antenada que ficou até chata. Injustiça. Nem todos são assim. O que dá certa inveja é a “leveza” e desapego com que tratam certos assuntos. É a geração do “tô nem aí” e “amanhã arrumo coisa melhor”. Parece tudo tão simples pra eles…como um misto-quente.
Li nas internete que o termo “X” se deve a um estudo realizado para classificar a geração de adolescentes da época. Não se sabe ao certo se o “X” se refere à expressão em inglês “X rated” – que tem a ver com atos e produtos pornográficos – ou se a referência é ao “X” como uma incógnita. Acho que tem mais a ver com pornografia. rsrs
Dizem também que esta geração é formada por pessoas que são mais sensíveis que a anterior, mais maduras, que romperam com muitas coisas, souberam conviver melhor com o sexo oposto, lutaram por seus direitos, desprenderam-se de laços familiares sufocantes e buscaram a liberdade também na arte, na música e na poesia. E deram com os burros n’água muitas vezes e isso se repete até hoje. O ser humano é tudo igual em muitas coisas e isso não depende de época.
Alguns dizem que somos mal resolvidos. Acho que agora entendo o tal do “X” de enigmático, que é uma palavra linda pra disfarçar outra: paranóico. Eu acho que somos meio “noiados” mesmo, cheios de preocupações e culpas que não nos levam a nada. Não nos damos bem com a geração anterior e conflitamos com a nova. Adoramos dizer que batalhamos para chegar onde chegamos e o quanto “sofremos”. Adoramos falar que a geração Y foi criada ~tomando Toddynho na cama~ (eu vivo dizendo isso). Adoramos gente da nossa idade, vejam só. Somos passionais, maternais, muito apegados a coisas e pessoas. Somos “obedientes” e respeitamos relações hierárquicas, mas por dentro estamos querendo mandar tudo pra p.q.p. Dizem que isso pode dar câncer. Somos expert em obsessões, manias e carências. Queremos muita coisa dentro do sanduíche, mas temos que ser “responsáveis”.
Como não nascemos “conectados”, vivemos a transição passando pelo deslumbramento e pelo medo das novas tecnologias. E adoramos falar que vimos tudo acontecer. Um “piscar de olhos” e tcharam! Tudo estava em rede. E a gente ali, vivendo tudo intensamente, a loucura da evolução da internet e da morte de várias coisas. Morte da fita k-7, das conversas no telefone fixo, morte do vinil, morte da arte, morte da bezerra.
Mas a fase cor-de-rosa existiu. Dentro da geração X há os que viveram os anos 80 e 90 na sua adolescência e juventude. Estas décadas foram um presente, de certa forma. Tudo era meio exagerado e meio inocente, a música era ótima (The Cure, The Smiths, New Order, Madonna, Michael Jackson, Cyndi Lauper, só pra citar alguns) e a gente não tinha essa coisa de enquadrar as pessoas em minorias. As meninas eram loucas por George Michael, por exemplo, e nem desconfiavam que ele era gay! Não se falava nisso. Não como hoje.
Os relacionamentos amorosos eram um show à parte. Existia o “pedir em namoro”, o “pedir um beijo”. A gente sofria mesmo, era uma coisa de louco. As festinhas de garagem eram regadas à refrigerante e salgadinhos Elma Chips e tinha dança da vassoura. Os mais velhos bebiam escondido. Os pais (da geração baby boomers) eram mais rigorosos e a criatividade tinha que ser usada até para escapar de casa no meio da noite. Foi aí que a gente aprendeu a técnica de chegar em casa de costas. Afinal, a gente tinha que dar nossos pulinhos pra sobreviver. Muita emoção.
Não havia TV a cabo, nem internet. Então, a gente assistia a muitos filmes na Sessão da Tarde ou no Supercine, Corujão, essas coisas. E os filmes, mesmo sendo em sua maioria norte-americanos, refletiam muito os jovens dos anos 80. Pelo menos em sua essência. Segue uma pequena seleção de “clássicos” da época da calça bag e de Like a Virgin. Muitos deles são de John Hughes, o diretor americano que marcou uma geração com filmes de temáticas jovens.
Essa seleção é especialmente para aqueles que hoje não se contentam com um simples cheeseburguer do McDonald’s, querem mesmo é comer um X-Tudo bem gordurento, exagerado, pra se esbaldar e depois ficar morrendo de culpa. Senão não tem graça.
Porky’s, 1982, de Bob Clark. (o “American Pie” da época).
Karate Kid, 1984, de John G. Avildsen. (dispensa apresentações)
Gatinhas e Gatões, 1984, de John Hughes (garota gosta de garoto que não gosta dela e tem outro garotinho chato e inconveniente que é apaixonado por ela. o mundo mudou pouco)
Admiradora Secreta, 1985, de David Greenwalt. (loira burra popular X morena inteligente e amiga do menino que é apaixonado pela loira).
Mulher nota 1.000, 1985, de John Hughes. (nerds em busca da mulher perfeita. Kelly LeBrock, linda. Acho que até hoje tem homem que pensa nela…)
Clube dos Cinco, 1985, de John Hughes. (clássico dos clássicos da época, jovens “rebeldes” recebem castigo na escola)
Procura-se Susan Desesperadamente, 1985, de Susan Seidelman. (é, tem a Madonna, bem na época em que Like a Virgin estava quase estourando)
Curtindo a Vida Adoidado, 1986, de John Hughes. (Ahh, todos queriam ser como Ferris Bueller).
A Garota de Rosa Shocking, 1986, de John Hugues. (Foi o primeiro blockbuster deste diretor. Menina apaixonada por um menino rico e que tinha um amigo apaixonado por ela. Elenco sensacional e trilha sonora idem, confira aqui.)
Conta Comigo, 1986, de Rob Reiner. (drama, elenco pré-adolescente)
Labirinto – A Magia do Tempo, 1986, de Jim Henson. (fantasioso e romântico, com David Bowie)
Fiquem agora com Thieves Like Us, de New Order. Porque a gente tem bom gosto musical desde aquela época, aponta estudo.
Relutei em fazer um post com temas corporativos, mas não resisti. Essa vida que a gente leva na firma precisa ser expressada de alguma forma, precisa ser levada a público, compartilhada com o mundo lá fora, com playboys ou profissionais liberais ou donas de casa ou qualquer que seja a pessoa de pouca sorte que não faça parte deste maravilhoso mundo que não é de Marlboro. São dias tão intensos de trabalho e prazer, estresse e fúria e entre mortos e feridos, todo mundo está lá no dia seguinte com cara de bolinha de novo pra garantir um holerite decente no fim do mês. O cinema já produziu alguns filmes muito bons sobre este tema. Segue uma lista com alguns que recomendo. Procurei histórias que mostram aspectos do cotidiano de forma cômica, exagerada ou trágica. Quem não faz parte deste mundinho cheio de códigos de conduta talvez não entenderá muito bem alguns contextos mas os pobres mortais que fazem podem ver como a arte imita a firma e relaxar um pouco. Antes de matar seu chefe, colega ou a impressora, assista.
Como Enlouquecer seu Chefe (Office Space, 1999), de Mike Judge. – Cult movie, uma das melhores comédias que eu já vi. Tem uma cena com uma impressora que é simplesmente fantástica e tem até paródia. (O povo da T.I. vai adorar este filme, rsrs)
O que Você Faria? (El Método, 2005), de Marcelo Pineyro - Sete executivos disputam uma única vaga em uma empresa e o filme se passa todo em uma sala onde começa uma espécie de jogo e muito “sangue no zóio”.
O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006), de David Frankel - este é para quem trabalha numa empresa com muito glamour, rsrs. Vai fazer você achar sua chefe uma santa.
The Office, série de humor de TV exibida pela NBC, criada por Ricky Gervais, Greg Daniels e Stephen Merchant, adaptada de uma série britânica de mesmo nome. Ou pode ser uma série britânica que foi adaptada para os americanos, como preferir, não vamos fazer disso uma reunião. É uma overdose de escritório num humor impagável, as duas versões são boas, cada uma com seu típico humor.
O Corte (Le Couperet, 2005), de Costa-Gavras. Adaptado de um livro, com o excelente ator Bruno Davert como protagonista, é um filme de tirar o fôlego. Um cara desempregado simplesmente sai matando todos que têm a sua profissão na cidade, para que ele consiga uma vaga. Ixi, tô dando ideia…
Se Meu Apartamento Falasse (The Apartment, 1960), de Billy Wilder. Um puxa-saco resolve agradar os chefes e empresta o apartamento para encontros com a mulherada. Só podia dar confusão. Um clássico.
Termino com a música do Tim Maia, dizendo o que ninguém tem coragem de admitir: O que eu quero?/Sossego.
Nunca ouvi tanta gente falando de um filme do Haneke como agora, sobre sua obra mais recente, Amour (Michael Haneke, 2012), que concorre ao Oscar deste ano e por isso até a “massa” está comentando. Eu vi e não achei tudo isso. Não é meu Haneke preferido (e ele é meu preferido, depois de David Lynch) e está longe de ser porque pra mim faltou a ousadia peculiar que o diretor sempre coloca, aquela sensação de estranhamento e dúvida que acompanha suas histórias. Vou receber uma enxurrada de críticas, mas tudo bem. O ódio é primo do amor, não? Se eu fosse mais spoiler criticaria ainda uma cena do final em que ~todo mundo se chocou~, mas não farei isso assim, de graça. Acho que as pessoas se comovem demais (ou querem parecer comovidas) com um tipo de amor convencionado, aquele que dura mil anos na tristeza ou na alegria, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, que carrega o sofrimento. A visão de amor é geralmente reduzida a duas coisas: a uma paixão avassaladora à primeira vista (que hoje está ~super~na moda) ou à imagem daquele casal de velhinhos contemplando juntos a linha do horizonte. Tudo bem, é uma coisa linda, mas há várias outras formas de amar e de viver um grande amor, inclusive, dentro do próprio amor de muitos anos de convívio.
Tentar definir o amor é reduzi-lo, então vou parar por aí. Vou citar alguns filmes que mais me marcaram dentro deste tema e que são, para mim, histórias de amor intensas, bonitas e que fazem a gente ampliar nossa cegueira, ops, visão. Começo com o amor construído, descoberto e sensível de O Despertar de uma Paixão (John Curran, 2006), sim, sei que o nome nacional é péssimo. O nome original é The Painted Veil. Baseado no romance homônimo de William Somerset Maugham, com os excelentes Edward Norton e Naomi Watts (meus atores prediletos
) é, de longe, meu “filme de amor” preferido. É um amor que começa aristocrático, passa pela traição e depois cresce na admiração. Com uma trilha sonora de tirar o fôlego, uma história dramática em tempos de cólera, se passa em Guilin, região chinesa de Guangxi. Mostra como um contexto pode transformar o que sentimos. O mais incrível deste filme é que cada detalhe desta transformação de amor é cuidadosamente revelado em cenas e diálogos sutis, para quem observa com o coração. É de chorar três dias.
Um filme que não canso de assistir é Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003). Esta história de amor é daquelas que duram poucos dias, mas ficam eternizadas na mente. Duas pessoas solitárias que encontram uma na outra um mundo paralelo, um lugar para entregar seus desertos. Aquele amor que parece com amizade, aparentemente calmo, que a gente fica torcendo para “acontecer algo”. E acontece tudo, dentro do possível.
As Pontes de Madison (Clint Eastwood, 1995), baseado num romance, é um filme sem pieguices. Poderia ser um clichê mal feito, mas é tão sincero, tão honesto, que simplesmente nos colocamos no lugar dos personagens. Uma dona de casa que mora no meio do nada e que de repente conhece um fotógrafo e ai, meu Deus. Um amor de tirar o fôlego, que dura poucos dias e é amor de decisão. Bom, e qual amor não é?
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Michel Gondry, 2004) não é um filme que me emocionou tanto, mas a ideia é fantástica e original e a história é construída de uma forma genial. Imagine se você pudesse, a partir de uma máquina, apagar de sua memória a pessoa que ama e que não ama você? Ou apagar um amor que te magoou e começar de novo sem a lembrança do passado? O casal é formado pelos atores Jim Carrey e Kate Winslet, excelentes nos papéis.
Melhor é Impossível (James L. Brooks, 1997) é um filme obrigatório. Como não amar um obsessivo-compulsivo interpretado por Jack Nicholson e que escolhe só as calçadas brancas para pisar? É o clássico da recusa do amor até que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. E a Helen Hunt tá linda.
Sobre o amor gay, recomendo De Repente, Califórnia (Jonah Markowitz, 2007). Sincero, triste, delicado. Em meio a problemas familiares, um rapaz descobre sua sexualidade e os conflitos que vêm com ela, num cenário de praia e muito surf. É um filme que vai muito além de Brokeback Mountain.
E para tocar no reino das comédias românticas, pra ninguém dizer que eu só falo de dramas, Alguém Tem que Ceder (Nancy Meyers, 2003) é um clássico moderno deste gênero. Um roteiro impecável e atuações ótimas de Jack Nicholson e Diane Keaton, que todo mundo deveria assistir. Fala de clichês de uma forma leve e divertida.
Esses dias li um texto que dizia que o amor também nasce do encontro entre almas inquietas com o mundo a sua volta. Amores de revolução são assim, os que fazem o mundo mudar e se hoje estamos aqui, vivos e lendo coisas na internet, é porque várias destas almas inquietas se apaixonaram e prepararam o terreno pra gente. Um dia escrevo um post só sobre filmes de amor assim, “revolucionários”.
E pra provar que o amor tem tudo a ver com humor, amizade e é muito mais gostoso quando a gente encontra alguém que nos faz rir, termino com esta cena memorável do filme Harry e Sally – Feitos um para o outro (Rob Reiner, 1989), que também é uma clássica comédia, em que Meg Ryan simula um orgasmo num restaurante. Se o amor não fosse cego, estaríamos perdidos.